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Entrevistas

Mariza Sorriso na Portela

«Somos um só verso»

17 de dezembro de 2015
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De onde surgiu a ideia de juntar poetas neste projeto. Qual o nome do projeto, os seus objetivos e a função da Mariza neste intercâmbio?

O sonho de realizar o Encontro de Poetas da Língua Portuguesa nasceu em 2013, quando eu estive em Lisboa para lançar meu livro "Das Raízes do Coração".

Na ocasião confidenciei ao poeta José Manuel Martins Pedro a minha vontade de realizar um Encontro de Poetas da Língua Portuguesa, englobando não só Portugal e Brasil, mas todos os países da CPLP. José Manuel M. Pedro apresentou-me ao poeta Emanuel Lomelino e eles prometeram ajudar-me.

Em Setembro de 2014, com a ajuda desses poetas e de todos os participantes, realizávamos em Lisboa o I Encontro de Poetas da Língua Portuguesa com poetas de três países: Angola, Brasil e Portugal.

Sou a mentora do projeto e, para a organização dos encontros, conto com a colaboração de todos os poetas espalhados nos diversos países de língua portuguesa.

O objetivo é reunir os sentires a fim de congregar parte do universo das rimas perdidas das tribos poéticas espalhadas pelo planeta, fragmentadas pelos aspetos geográficos, sociais ou cronológicos.

Integrar o maior número de poetas sejam renomados ou mesmo neófitos. Somos nações distintas, mas temos dois pontos fundamentais a unir-nos: escrevemos poesia e poesia de língua portuguesa.

O principal mote dos nossos Encontros dos Poetas da Língua Portuguesa e das nossas antologias comemorativas será sempre dar voz, fazer conhecer o que vai no coração de cada um e integrar o maior número de poetas lusófonos espalhados pelo planeta.

Há quantos anos o fazem e quais os passos futuros?

Realizámos o I Encontro em Lisboa - Setembro de 2014 - com a participação de cerca de 60 poetas. Em Setembro de 2015 realizámos o II Encontro no Brasil em dois dias, nas cidades de Niterói e Rio de Janeiro, com mais de 150 poetas.

O próximo, o III Encontro, acontecerá em 24 de Setembro em Lisboa, novamente, a fim de ganharmos corpo para seguirmos, talvez em 2017, para Moçambique, ou mesmo repetirmos no Brasil. Tudo vai depender do sucesso de 2016 em Portugal.

Quais as expectativas das tertúlias que vão promovendo?

As tertúlias são espaços onde podemos expandir um pouco da energia poética que acontece nos encontros e, também, para divulgar os encontros e as antologias comemorativas dos encontros.

Este livro é o primeiro livro que resultou desta reunião de poetas? Como se chama? Pretendem editar outros?

A antologia comemorativa do I Encontro chama-se "Entre o Fado e o Samba", cuja coordenação foi feita pelo poeta português Emanuel Lomelino.

Este ano a coordenação foi minha e, já que estávamos na terra do samba, se chama "Entre o Samba, o Fado e a Poesia".

Para o próximo ano, caso se confirme outra antologia, daremos um nome mais abrangente, pois já temos garantido a participação de cinco países de língua portuguesa e a nossa meta é contar com a participação de todos.

Quais os nomes dos poetas mais sonantes associados a este projeto?

Presente nestes encontros poetas de renome, grandes sonetistas contemporâneos, poetas premiados e alguns neófitos que estão se apresentando pela primeira vez.

Todos são muito bem-vindos! Somos um só verso.

Ainda há espaço para a poesia nesta era da nova tecnologia e da linguagem simples?

Estou certa que sim. Sempre haverá em todos os tempos.

Ao menos uma alma será salva pela poesia, nem que seja a do próprio poeta.

Será a poesia de hoje diferente da do século XX?

Acredito que não. O que difere a poesia é a maneira da construção de cada poeta. Alguns preferem as regras clássicas e outros são mais descontraídos com estas regras. Entretanto, penso que o valor da poesia está no conteúdo do sentir poético transportado para o papel e na irreverência e singularidade em se olhar as coisas de formas nunca antes vista.

O poeta é um vate, um profeta, um contemplador e um investigador.

Filipe Esménio

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