Sérgio Redondo e a paixão pelo vinil
«Ser uma loja de referência em Portugal»
18 de dezembro de 2015
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Como nasceu o “Vinyl Gourmet”?
O Vinyl Gourmet nasce da necessidade de criar um projecto perfeitamente integrado com as minhas paixões. Depois de um período de quase 20 anos como Informático, que me permitiu uma carreira de sucesso, mas que não me satisfazia em termos do meu bem estar e realização pessoal. Quando surgiu a oportunidade de criar algo que fosse especial para mim e que fosse ao encontro do que realmente gosto de fazer, a música que desde criança sempre foi uma parte tão importante da minha vida, rapidamente se tornou numa prioridade para construir um projecto onde pudesse tirar partido de todo o conhecimento acumulado, partilhar isso com os outros e fazê-lo de forma, realmente, diferenciadora e com valor acrescentado.
O que distingue o “Vinyl Gourmet” das outras lojas que vendem discos em vinil?
Em primeiro lugar é uma loja que se dedica exclusivamente ao vinil e, principalmente, aos discos novos. Mas acima de tudo é uma loja que procura responder às necessidades dos clientes mais exigentes, apostando num catálogo de produtos especiais de alta qualidade que, praticamente, não estavam representados em Portugal, das melhores editoras audiófilas do mundo, produtos de importação directa que não se encontram nas lojas tradicionais ou nos grandes retalhistas, cujo foco está sempre muito centrado nas edições mais comuns para clientes pouco ou mal informados. O vasto conhecimento sobre os discos e sobre a produção audio, fruto de décadas de investigação e experimentação como coleccionador e audiófilo, permite ao Vinyl Gourmet garantir que os discos propostos são, de facto, os melhores discos que podem ser comprados hoje, com o melhor som analógico e que o investimento do cliente vale mesmo a pena.
Só se podem comprar discos no espaço comercial, ou há outras formas de o fazer?
A loja Vinyl Gourmet tem como prioridade chegar aos clientes da forma mais eficiente possível. Além do nosso espaço que pode ser visitado no Prior Velho, também apostámos desde o início numa loja online de características pioneiras em Portugal, no que diz respeito à apresentação de produtos, métodos de navegação e informação disponível, que permite uma experiência de compra interessante e perfeitamente fluída, integrando produtos e serviços conexos, para enviar pelo correio os melhores discos desde a ponta dos dedos do visitante até à sua casa, de forma segura e eficaz. Algo que é inédito neste mercado é por exemplo o nosso serviço de entrega de discos ao domicílio, disponível em horário alargado na zona de Lisboa e Loures, representando uma forma completamente nova de comprar discos.
Tendo em conta que existe uma plataforma de venda online, qual a origem dos principais consumidores deste produto?
A distribuição geográfica dos nossos clientes varia bastante e de forma muito rápida, durante os primeiros seis meses de actividade havia uma clara tendência para os clientes internacionais, principalmente dos países europeus como Alemanha, Inglaterra e Espanha, um período em que provavelmente mais de 70% das vendas eram para o estrangeiro, onde tipicamente existe maior poder de compra e também um público mais informado e sensibilizado para as edições de discos de vinil de alta qualidade. Nos meses seguintes foram os mercados extra-comunitários que começaram a procurar-nos, mas agora que estamos bem dentro do nosso segundo ano de atividade, parece que a origem dos nossos clientes está a estabilizar num equilíbrio de 60% ou mais de clientes portugueses e menos de 40% fora do País. O que representa não só a percepção de qualidade que projetamos no contexto internacional, em que somos procurados pelos clientes mais exigentes, mas também o fruto do trabalho e enorme esforço que temos feito para conquistar o mercado nacional e tornar o Vinyl Gourmet na principal referência para quem gosta da melhor música com o melhor som em Portugal. Achamos que é fundamental cimentar essa posição no mercado interno, mas sempre com o lado internacional bem presente, não é por acaso que o idioma activo quando se entra na nossa loja online é o inglês, o Vinyl Gourmet quer ser a loja de referência em Portugal e, um dia, a melhor loja de discos do Mundo.
Este período do ano, o Natal, é propício a compras. Tem sentido isso?
Sem dúvida. Apesar de ser uma loja com pouco tempo de actividade, os meses de Novembro e Dezembro são claramente mais activos e com muito mais vendas por causa do Natal. É fácil compreender isso, o que poderia ser melhor prenda do que oferecer o prazer da música com som fabuloso numa capa fenomenal? Além do mais é uma prenda que apela a vários tipos de clientes, desde os mais jovens que procuram a novidade e uma relação mais táctil com a música nesta Era Digital, até aos mais velhos que ainda procuram um certo revivalismo e sentem a nostalgia do vinil, com saudades do som mais genuíno e original. Uns e outros representam motivos válidos que fazem sentido desde que os discos sejam de excelente qualidade. Todos querem ter um bom Disco de Vinil na árvore de Natal, mesmo quem não tem gira-discos aprecia uma prenda com tanto charme.
Viveu na Portela quanto tempo?
Vivi 28 anos maravilhosos na Portela, que me deixam muitas saudades. Hoje ainda vivem por lá os meus pais. Agora estou a viver no Prior Velho, mas na verdade o meu coração nunca saiu da Portela.
Quais as principais características que encontra neste bairro?
Tenho dificuldade em separar o lado emocional quando falo da Portela, para mim é sinónimo de alegria, convívio livre e despreocupado, um espaço de poucos preconceitos e muita abertura de espírito. As características que encontro deixam-se inundar por essas emoções, acho que tem uma organização excelente das zonas de lazer e habitação, penso que tem evoluído de forma positiva na gestão desses espaços e que, acima de tudo, é um prazer estar na Portela. Cada rua, cada páteo, cada praceta, tem uma história para mim... vivi muito na Portela.
Em comparação com o Prior Velho, onde reside, quais as grandes diferenças que encontrou?
As diferenças são bastante grandes, os espaços obedecem a lógicas quase opostas, não existem aqui as múltiplas zonas verdes que a Portela tem, mas por outro lado existe uma maior distribiução das actividades comerciais pela localidade que por vezes se torna útil. Acima de tudo o Prior Velho não tem a beleza e simplicidade organizacional da Portela, embora se tenha vindo a trabalhar muito para melhorar e nota-se de ano para ano a evolução. Mas como disse antes, 28 anos de vivências memoráveis na Portela não ajudam a ver as coisas da forma mais objectiva, provavelmente estaria a dizer a mesma coisa se vivesse num bairro de Paris ou Londres, nada se compara à Portela.
Pedro Santos Pereira